forasteira
forasteira ainda que não passes mais pela infância ainda que decidas ser uma mulher mesmo que na oblíqua noite serás a primeira lágrima derramada pelo pai no adeus serás a medeia enraizada por dentro a tua sombra se desfaz a melancolia desiste de te enlouquecer os passos são dados, não há o que fazer falas sempre dos mesmo versos cantas sempre as mesmas músicas te emocionas todas as vezes que vês a tua mãe assim como tens a ternura de uma vida que parte sabes que tudo chegará a um fim e mesmo assim, não temes estás entornada pela ausência do sol e te identificas com a tua irmã quando as duas pensam o que será que será? .
após alguns meses distante, volto. acabo de fechar um arquivo de 400 páginas de poemas ainda sem rumo. (poemas precisam ter rumo?). tenho organizado alguns livros, lido e relido relíquias perdidas. tenho trabalhado e refletido sobre o que quero fazer de agora em diante. bem, eu sei o que eu quero fazer de agora em diante. só não sei como fazê-lo na prática. tenho 33 anos e vivo a dualidade da poeta desesperada que sempre fui. encontrei a paz na rotina mas, algumas vezes, sonho com a imensidão.
tenho um livro escrito por mim à venda. chama-se “quando eu for uma pessoa” e trata sobre as angústias da juventude e do “ser”. penso que encosta num existencialismo forasteiro, visto que o escrevi quase todo em terras estrangeiras. atualmente, vivo em Lisboa, mas sou do sul do sul do mundo. encontre o livro aqui. está à venda em todo o Brasil.

Bom dia Luciana.
Que bom poder ler outro poema seu.
Obrigado.
Me identifiquei muito com suas reflexões sobre o ofício. Estou nesse momento passando por uma enorme crise sobre entender o que eu quero, principalmente os rumos dentro da plataforma e o que fazer com meus escritos.
Entendo -e me relaciono- com esse querer ter uma rotina e o a poesia pedir uma contemplação contrária ao que dita o cartesiano.
Mas não deixe de escrever.
Conheço esse sentimento: “vivo a dualidade da poeta desesperada”. 🌼